Há paisagens às quais se torna imperioso regressar como a certos abraços. Tenho hoje, na janela que dá para os cigarros que ali venho fumar, o torso longitudinal e omnipresente de uma grande árvore verde que encobre da janela o sol e os prédios da frente. Em baixo, na calçada breve, folhas mortas, um canteiro ajardinado e merda de pombo à descrição. É aqui que regresso, como a mim própria, num ser-estar e que é um estar-ser.
Na benevolência dos sonhos, nunca tenho estas mamas de vaca leiteira. Estas mamas que ele gosta de apertar entre os dedos e os dentes. Dióspiros maduros que prometem bocas fartas de enxaguar os lábios com as costas das mãos. Não, os corpos breves não possuem essa profundidade da carne cuja extensão é o afundarmo-nos neles. Os corpos breves não se espalham até como mancha palpável sobre o negro de lençóis demasiado estreitos. Os corpos breves, não alastram nem se esfarelam. Conservam essa rigidez inflexível e esguia das estátuas de mármore.
E no entanto, agora que penso nisso, sei que na benignidade dos sonhos não tenho estas mamas de vaca. Estas mamas que ele gosta de apertar entre a boca e o sexo. Estas mamas, cauda imensa de pavão que lhe passeio nuas, à vista dos olhos.
Em sonhos, aparece-me um deus que me minimaliza. Um deus que talvez saiba que, depois de abertos os olhos, me pesa este corpo como a Sísifo o tamanho imenso, rolar da sua pedra.